Resposta à Carta de Davi Kopenawa para a Procuradoria Geral da República

Mata de São João, 21 de Maio de 2021 

Querido Davi Kopenawa, 

Eu sinto muito. 

Eu genuinamente sinto muito. 

Pela violência que seu povo sofreu, pela invasão de seus corpos e seu território,  pelo desrespeito às suas tradições e ao seu luto. 

Os Estados Unidos da América e muitos dos seus pesquisadores são notadamente  conhecidos pela violação aos povos tradicionais e aos países ditos de terceiro  mundo. Usam nossos corpos, nossas terras e nossas plantas a seu bel prazer, em  prol de suas indústrias de capitalização e um sistema de banalização da morte.  

É enlouquecedor e revoltante. Não há outro sentimento a se ter.  

Mas eu espero que dentro da sua comunidade, na força da união do seu povo, vocês  estejam encontrando caminhos de cura para seus corações. 

Sabemos que a justiça divina se faz, mesmo que muitas vezes não sejamos  testemunhas dela. Mas disso não tenho dúvidas: o sangue de seus ancestrais será  honrado e a terra irá recebê-lo em louvação, para que retorne novamente ao todo e  se torne semente de vida. 

Te desejo calma e paz, por mais que a espera seja desconcertante. Que os teus  antigos se preencham de esperança e os mais novos amadureçam em consciência  pela defesa dos irmãos. 

Te desejo, especialmente, que nem mais uma gota do seu sangue se derrame em  vão. 

Pois que frio nenhum pode arrefecer a chama viva do rubro fluido de quem é vespa feroz, 

ser humano da fonte. 

Um abraço. 

Cura

Camila Machado


Essa carta foi uma resposta à carta de Davi Kopenawa, para acessá-la clique aqui:

De Davi Kopenawa para a Procuradoria Geral da República.


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